No último episódio do Kultive Cast, mergulhamos no universo da irrigação de alta performance com Tiago Villani, gerente de contas estratégicas na Pivot. A conversa revelou como a tecnologia de irrigação deixou de ser apenas um “seguro contra a seca” para se tornar o pilar central da rentabilidade e sustentabilidade no agronegócio moderno.
Se você perdeu o episódio, preparamos um resumo com os insights mais valiosos para quem deseja verticalizar a produção e garantir resultados consistentes.
O Cenário Global e o Potencial Brasileiro
A irrigação ocupa apenas 15% da área agricultável do mundo, mas é responsável por 50% da produção global de alimentos. No Brasil, embora tenhamos cerca de 9 milhões de hectares irrigados, o potencial de crescimento ainda é vasto. Tiago destaca que o país é pioneiro na implementação de projetos gigantescos, com pivôs que chegam a cobrir até 550 hectares, algo raro em outras partes do mundo.
Tecnologia que Gera Autonomia: FieldNet e Advisor
O tempo de ligar e desligar o pivô manualmente ficou no passado. Através de plataformas como o FieldNet, o produtor tem controle absoluto na palma da mão.
Gestão Remota:
Monitoramento de erros, falta de energia e desalinhamento em tempo real.
Integração Meteorológica
Com a incorporação da Metos, o sistema cruza dados de estações meteorológicas e pluviômetros para decidir, de forma inteligente, quando suspender a irrigação em caso de chuva.
Sensores de Solo
Monitoramento da umidade em diferentes perfis (até 80cm), permitindo ajustes precisos de acordo com a fase fenológica da cultura.
Inovação no Campo: O “Corner” e a Taxa Variável (VRI)
Uma das grandes novidades apresentadas foi a tecnologia de Corner, um braço móvel que se estende para irrigar os cantos da propriedade, aumentando em até 30% a área útil de projetos menores. Além disso, a irrigação em taxa variável (VRI) permite aplicar água bico a bico, respeitando as manchas de solo e otimizando cada gota.
Sustentabilidade e Eficiência Energética
O maior gargalo hoje não é a disponibilidade de água, mas a infraestrutura de energia. O episódio abordou a evolução dos sistemas híbridos (solar + diesel + rede elétrica) para garantir a estabilidade necessária ao pivô, que precisa de cerca de 21 horas operando para completar uma lâmina de água.
A irrigação também promove a sustentabilidade ao:
- Reduzir o uso de maquinário (e consequentemente diesel) através da fertirrigação.
- Diminuir o amassamento e a compactação do solo.
- Garantir a segurança alimentar em anos de estresse hídrico severo.
Rentabilidade: O Investimento que se Paga
Muitos produtores ainda veem a irrigação como um alto custo, mas os números mostram o contrário. Com a possibilidade de realizar duas a três safras por ano e atingir recordes de produtividade (como soja acima de 100 sacas/ha), o payback médio de um projeto de irrigação gira entre 2 a 4 anos, havendo casos excepcionais que se pagam em apenas uma safra de feijão.
Conclusão
A irrigação é segurança, sustentabilidade e lucro.
Tiago Villani
É a ferramenta que permite ao agricultor dormir tranquilo, sabendo que o seu maior investimento — a semente no solo — está protegido contra as incertezas climáticas.