O cenário da agricultura brasileira, especialmente no Cerrado e no Matopiba, enfrenta desafios crescentes com o complexo de doenças na soja. No episódio #041 do KultiveCast, recebemos o fitopatologista e pesquisador Éder Novais Moreira para desvendar os mistérios da Cercóspora, da Podridão de Grãos e como o manejo nutricional é o alicerce da sanidade vegetal.
O Alerta da Cercospora: Mais que uma Doença de Final de Ciclo
Muitos produtores acreditam que a lavoura está sadia até os 60 dias, mas a Cercóspora pode estar latente. O pesquisador destaca que o aumento dessa doença nos últimos 10 anos está diretamente ligado à alta exportação de potássio das variedades modernas.
Fator Crítico: Solos com menos de 2% de potássio na CTC apresentam maior predisposição à doença.
Sintomatologia: O crestamento foliar é ativado pela luz, tornando os sintomas mais visíveis na parte superior da planta .
Podridão de Grãos vs. Abertura de Vagens
É fundamental saber distinguir as causas para não “fazer terrorismo” comercial.
Podridão (Causa Biótica): Ocorre de dentro para fora, geralmente associada ao fungo Diaporthe.
Abertura de Vagens (Causa Abiótica): Ligada a estresses hídricos e amplitudes térmicas, onde o grão cresce mais rápido que a casca.
Estratégias de Manejo e Tecnologia de Aplicação
O manejo eficiente não foca em uma única doença, mas no complexo.
Manejo Nutricional
O equilíbrio de Potássio e Boro é vital para retardar a senescência e manter a integridade das vagens.
Controle Químico
Triazóis (como Tebuconazol e Protioconazol) mostram-se robustos contra a Cercóspora. O uso de multissítios (Mancozeb, Clorotalonil) e oxicloreto de cobre é essencial para evitar resistências.
Aplicação no Vegetativo
Proteger o baixeiro antes dos 25 dias (V3/V4) garante a manutenção de raízes e evita a subida precoce de patógenos como a Septória.
A Semente como Ponto de Partida
O Diaporthe tem alta taxa de transmissão via semente. A recomendação é clara: priorize sementes de altitude e utilize o tratamento de sulco para proteger a planta nos primeiros 20 dias, especialmente contra patógenos de solo.
O agricultor não pode economizar nos 7% de investimento em fungicidas e arriscar os outros 93% que já estão pagos no campo.
Éder Novais.
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